segunda-feira, outubro 08, 2007


Eu conheço-te, mas tu não me conheces...
Eu sei quem és, algumas coisas por que passaste, mas principalmente o que te espera.
Não sei o caminho que deves trilhar, e mesmo que o soubesse jamais te diria, pois por mais que se queira, conhecer o caminho e passar por ele são coisas completamente distintas, e por vezes o que se pensa certo e adquirido, pode como uma lufada de vento mudar.
Não sei se queres ouvir o que tenho para te dizer, nem sei se vais acreditar em mim, e por mais que penses que o facto de eu te contar o que sei poderá mudar o que foi escrito, lamento desiludir-te mas o destino é um tanto mais criativo que nós possamos pensar.
E se estou aqui é porque assim estava destinado a que fosse. E se te vou falar, é porque assim estava escrito, e tudo o que te disser jamais te afastará do lugar onde um dia vais estar. O que pode mudar é o caminho que segues até ele, mas jamais poderás fugir ao que te está destinado.
Por isso, as palavras que tenho para ti são a verdade daquilo que virá, e por mais que te magoe, e perdoa-me se assim for, peço-te que olhes com carinho ao que te digo, e mesmo que não acredites, não repudies a ideia totalmente, porque acredita que irás ser muito feliz...
E embora hoje a ideia te pareça ridícula amanhã irás sorrir, e quando olhares para trás, vais-te lembrar de mim, e certamente sorrir... as coisas mudam quando passam de simples premonições a factos reais...
E eis, o que tenho para te dizer...

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sexta-feira, outubro 05, 2007


Sim, eu sei...
Por vezes a vida leva-nos a esses lugares, onde nada parece ser o que é, onde nada faz sentido, onde a decisão de um momento nos muda o rumo do destino...
É nessas encruzilhadas da vida que crescemos, que se aprende, pois entre virar à direita ou ir em frente, está em jogo a nossa própria existência e a de quem está perto de nós.
O que fazer? Como escolher?... não... isso não te posso dizer, há de facto uma grande diferença entre conhecer o caminho e percorre-lo, e por mais que eu te dissesse que este ou aquele é ou devia ser o teu caminho, a forma de lá chegares é sempre tua.
Nada é certo ou tido como imutável, o que te parece hoje pode deixar de o ser amanhã, o que te é actualmente pode mudar no momento em que dás o primeiro passo.
Medo? Sim, é um factor presente na vida. O risco de errar é o mais sagrado de quem vive, e bem vindo é o risco, e o erro, pois sem ele nada do que é difícil ou fácil nos seria superável...

E então? Se estas nessa encruzilhada é porque assim o devias, e o passo a dar irá definir-te como ser humano e fundamentar aquilo que és e aquilo em que te tornas.
Se não sabes o que fazer, o que escolher, então pára, senta-te e espera... deixa que a vida corra á tua volta e aprecia.
Deixa que o ar te invada os pulmões como se fosse a primeira vez que respiras. Sente o vento a acariciar-te o rosto. Procura no teu ser a essência da tua escolha, a razão que te fez chegar ali, aquele lugar, e o porquê da tua dúvida, da tua indecisão, e quando achares a resposta, não te mexas, não movas um só cabelo, e continua a esperar, ouve o teu coração, e repensa no que a tua mente te disse.
Eis que ai chegas-te, eis que daí tens de partir, então que essa escolha seja feita com o sorriso no rosto, e mesmo sem certezas, poderás saber que certo está o teu coração que te manda levantar e partir por está e não por aquela direcção...

A resposta nunca esta naquilo que sabemos certo, mas naquilo que no fundo da nossa alma queremos...

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quinta-feira, setembro 27, 2007


Oh morte que tanto te desejei

Desde a tenra idade que te conheço

Quis que derramasses sobre mim a tua lei

Tenho agora consciência do que te peço


Que destino é este o meu?

Que vida a minha, senão sofrimento?

Esse que me levou a desejar ser teu

Acabar de vez com este meu tormento


E agora? Que até levas as recordações

E deixas-me, despido, vazio, nu

sem sentimentos, sem paixões

Quem é o culpado senão tu?


Vem, vem de encontro a mim

Enfrenta esta raiva que me move

Vem que mostro-te o que é o fim


Vem, se tens coragem de me enfrentar

Vem, vem ver como dor chove

Pois um dia para ti também ela vai chegar...

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quinta-feira, julho 26, 2007


Eis que te escrevo a ti, oh fantasma, que do esquecido vieste tentar assombrar o meu caminho...
Eis que me surpreendi, oh fantasma, que do vazio tentas inutilmente deixar uma marca...
Eis que marca alguma poderás acrescentar, pois as que ficaram ainda não estancaram...
O tempo soberano corta o sentido da dor, o respirar da ferida, mas jamais a sua essência

Sim, passou...
Sim, encosto a cabeça nos joelhos e sei que não voltará a ser o mesmo...
Sim... mas e se?...

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quarta-feira, julho 18, 2007

Hoje as palavras que correram num lugar sem sentido, numa folha nunca escrita, por cantos de uma alma que se sentia fazia mesmo com tanto que por ela corria, estão agora a renascer num corpo mudo.

Hoje, enfrentando medos e recantos, sentidos e sentimentos, volto a dizer que medo algum tenho em me voltar a sentir nu, e mostrar ao mundo que um dia me seguiu, do que sou feito, de que cor é o sangue que me corre nas veias.

Hoje e somente hoje entrego-me a promessas que nunca ousei proferir, e assim sendo dou de mim a dizer, que estou de volta... de onde? para onde? isso descobrirei um dia mais tarde... ou talvez não...

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terça-feira, julho 17, 2007


Naveguei contra mares e ventos
De certezas mortas
Enquanto fugia do mundo

Deixei-me levar pelos pensamentos
Desaguar num mar de infantilidade
Perdendo a razão alheia

Agora pergunto pelas montanhas
Para além da monotonia
Despido de vida e de magia

Olho para a minha sombra
Que o sol revela sem permissão
E expõe a minha verdade

Nu, despido... varrido de sentidos... como tu... como ele... como nós...

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terça-feira, setembro 27, 2005

"Senta-te...
Esquece o mundo que te rodeia, esquece as horas, os dias, o nascer do sol, o brutar da lua.
Senta-te no chão, e como o brutar de uma flor renasce ao som dequela voz... Daquela voz gasta pelo tempo, tremida pelos sentidos que já me falham.
Ouve bem o que ela te diz, sente o seu calor a vibrar pelo ar quieto que nos rodeia. Como se rasgasse o veu que nos separa da imortalidade.
Ela pode parecer-te cansada, triste ou apenas sonhadora, mas nada disso importa, nada disso conta, perante a loucura de um mundo que teima em trazer a si vida, a este profundo e adoçado inferno que nos engole em gestos perdidos de recreio.
Consegues ouvir-la? Consegues senti-la bem junto ao teu ser, sussurrando palavras em língua ausente de dialecto, de pronuncia, de sentido...
Ela é a voz da sabedoria...
Pena que não esteja ao alcance daqueles que se forçam a ouvir...
Ela apenas se desvenda perante quem nasce e conserva o Dom...
Quem sabe tu sejas o escolhido... quem sabe..."

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