domingo, outubro 14, 2007


Vagueia pelas ruas da vida como um comboio sem condutor, apenas seguindo o seu trilho conformado com o seu destino.
Já não se perde a olhar para as montras, a paisagem, a vida...
Já não ouve o ruido do mundo que o rodeia...
Já não pára nos sinais nem se deixa levar ao sabor do vento...
Apenas limita-se a viver até que ela, aquela que sempre o vem, venha até si e lhe dê o eterno beijo.

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quinta-feira, setembro 27, 2007


Oh morte que tanto te desejei

Desde a tenra idade que te conheço

Quis que derramasses sobre mim a tua lei

Tenho agora consciência do que te peço


Que destino é este o meu?

Que vida a minha, senão sofrimento?

Esse que me levou a desejar ser teu

Acabar de vez com este meu tormento


E agora? Que até levas as recordações

E deixas-me, despido, vazio, nu

sem sentimentos, sem paixões

Quem é o culpado senão tu?


Vem, vem de encontro a mim

Enfrenta esta raiva que me move

Vem que mostro-te o que é o fim


Vem, se tens coragem de me enfrentar

Vem, vem ver como dor chove

Pois um dia para ti também ela vai chegar...

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terça-feira, agosto 21, 2007




Sempre vejo dos mais ternos aos ásperos seres perguntarem-se a si próprios e aos outros o celebre ditame de: “Para onde vamos depois de morrer?”.

Pois que agora que penso no assunto vos digo... que em verdade não faço a minima ideia... provavelmente para o cemitério mais próximo, se tivermos sorte...

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quinta-feira, julho 19, 2007


Deixou cair a cabeça nas mãos, que nem uma ave ferida de encontro com a dura terra. Parou, susteve a respiração e como um gesto mecânico acendeu mais um cigarro. Procurou fugir à luz que dava vida e alimentaria temporariamente o vício. Vício este em que escondia a verdadeira razão do tão desejado gesto mecânico que vezes sem conta fazia sem ver passar o tempo.

Não levantou o olhar do chão, mas sentia o mundo que o rodeava, via as pessoas a passar, todas com o seu propósito, todas com a sua missão, outras sabia-as sentadas, no decurso de longos bancos de madeira gasta pelo tempo que ali estagnava em parcos sentidos de uma realidade alheia à sua compreensão.

Sabia-se cansado, doido, quase como morto, mas jamais ergueu o olhar do chão. Encarava antes a dura realidade com o puxar dos pulmões em gestos tremidos mas certeiros.

Uma voz longe parecia querer traze-lo de volta, mas um qualquer dialecto parecia-lhe estranho e ausente de sentido naquele momento.

Deixou o cigarro consumir-se em fumo, transbordando a cinza por onde calhou, e sem alguma vez erguer o olhar, soube que havia chegado o momento... iria começar...

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