quinta-feira, outubro 07, 2010




Deixas-me só estando tão perto
Como que num denso deserto
Sorriso presente, olhar distante
Ausência do beijo, olhar de amante
Um dia cresce a saudade
Outro esconde-se a verdade
Numa manhã o leve acordar
Numa noite o terno desejar
Qualquer um daqueles que é
Não sendo ou fingido-se assim
Num rumo sem inicio ou fim
Vazio da cabeça ao pé
Cheio de vontade de fugir
Correr, correr, para te perseguir
Simão

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sexta-feira, setembro 24, 2010






Oh dor que me assola,

Oh rasgo de mim

que a alma me amola

no inicio e no fim



Oh vontade de estar longe

Partir e não mais voltar

Ser anacoreta ou monge

viver por viver, remar por remar



Oh dia que voltas a nascer

Rio que correr até ao mar

Que corre, sem se perder

Que fica sem poder estar



Oh vontade alheia ao mundo

Coração forte e teimoso

Que não se deixa ficar no fundo

Sorriso lindo, olhar formoso



Um olhar de cada vez

Uma parte de outra

Um gesto que não fez

Uma metade noutra


Simão

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quarta-feira, novembro 04, 2009




Há dias que não me vejo,
Dias esses que não me sinto,
Verdades que desminto,
Sentidos de desejo...

Há dias que sei brindar,
Dias esses que me mascaro,
Onde o barato sai caro,
Onde jogo e sei brincar...

Há dias que não sei mais,
Dias esses que me perco,
De loucuras me cerco
loucuras... sentidos tais...



Há dias em que sou eu... e dias há em que sou menos eu... e sou nós...


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quinta-feira, outubro 30, 2008

De mim, só me faltas tu...
Tu, que nunca te tive...
Nem tu a mim me tiveste
Uma saudade que na alma vive
Nua, despida, sem roupa ou veste
Tu, que o acaso nos juntou,
Sem consciência, nem cuidado
E a circustância nos afastou
Pelo tempo e espaço odiado.
Tu que hoje mais longe estás
E mesmo que perto de mim te sinta
Para mais longe sempre vás
Nem que a mim mesmo eu me minta
Tu, que disseste para sempre me esperar
Que me deste a metade de um beijo
Pois que me perferia matar
A negar este meu desejo
Tu que aqui estás, mesmo não estando
E aí eu estou, do lado sempre presente
E um coração que continua amando
Ligados por um fado de sempre, para sempre...

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sexta-feira, setembro 26, 2008




Há dias assim, dias sem sentido, perdidos na imensidão dos minutos, como que o anuncio do pousar do sol ao seu nascimento.

Há dias que as ruas parecem desertas, presas a imagens que do passado recortamos e nos convidam a viajar sem rumo.

Há dias vazios, em que a imensidão da luz nos é insuficiente perante o desgaste da solidão.

Há dias como o de hoje...

O hoje que morre ao adormecer, e se transforma num novo dia, numa nova vida...
(Foto: Sozinho, de Ruben Andrade in olhares)

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domingo, setembro 23, 2007



Escrevo-te cartas que nunca irás receber,
Palavras que ficarão docemente caladas
Dizeres que ficarão por dizer,
Sentimentos em frases e linhas amadas.

Cartas sem envelope, selo ou endereço,
Palavras escritas num rasgo de loucura,
Dizeres que na tela da alma teço,
Sentimentos de amor, carinho, ternura.

Escrevo pelo simples escrever
De quem está vivo e vivo quer permanecer
Palavras que te quero dar a conhecer
Talvez um dia, no dia em que morrer...

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