terça-feira, agosto 14, 2007


Quantas são as profundezas
Que se pode encontrar no ser humano,
E quantas delas são as suas máscaras
E quantas são os seus disfarces,
Quanto disso é um escudo
Quanto disso é a carne viva,
Quanta é dor que dói,
Quanto é do sentido aço.

O enfrentar de cada máscara
O Desafiar de cada esconderijo
Aponto-te o meu abrigo
O meu mundo o meu perigo
Confirma a realidade
Cataloga as mentiras
Traduz a mente
Articula as relações
No preto e branco
A solução do enigma

Expõe os teus medos
Desmantela as certezas
Refaz as minhas dúvidas
Realça o evasivo
Em cada máscara
Em cada esconderijo
Explica o seu reflexo
Em cada cor do sentir
Até ao fim do abismo
Como o frio na espinha
Distingue as entrelinhas
Delineia as nuances
E nelas percebe as portas
Inventa as suas chaves
Equacione os seus tesouros
E revela a solução
Pulsando na vivência
Esquecida num quarto
Inocente como uma criança
Triste, suja e cansada
Sem que haja abrigo
Nos braços da solidão
Onde só sobrevive a esperança
Mistura de ao pó e lágrimas
Esperando uma voz que fale
Pela boca de outrem...

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segunda-feira, julho 23, 2007


Olhei-te como se me visse a mim mesmo, por entre a teimosia da escuridão da noite de sol, que nos envolvia em ternos gestos de loucura. O mundo fechou-se à nossa volta, todos se esvaneceram como o sopro do vento que perde a força.

Perderam-se os mistério em existir, o viver ou sonhar onde o caminhar se faz por si, onde sem erros nem acertos no acaso de cada passo de encontro com o respirar, se vislumbra parco perante a grandeza de te olhar.

Virei as costas às tuas já viradas, pelo medo, pelo desconforto, pelo susto, não sei... Apenas te senti novamente a fugir como tantas outras vezes.

E assim foi adiada a leveza que me traria a paz se simplesmente me olhasse e proferisses as palavras que continuas a reter dentro da tua alma.

Olhei, vi-te, mas não te revi naquele ser que em tempos idos me acariciou vezes sem conta e sabia o seu lugar no mundo...

Onde estás? Porque te perdes-te? Porque não te encontras? E principalmente porque continuo eu à tua espera?...

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